Como o mercado de criptomoedas vem se tornando ESG

Entre abril e maio deste ano, o Bitcoin e outras criptomoedas sofreram com uma das grandes quedas de sua história. No geral, o mercado de criptomoedas é conhecido por sua volatilidade, sendo o alto risco uma constante para seus investidores.

Dessa forma, esses ativos digitais vêm ganhando cada vez mais relevância no cenário internacional, não só por sua capacidade como ativo, mas também pela tecnologia blockchain.

Contudo, como qualquer outra indústria, o mercado de criptomoedas também vem sofrendo com pressão para aderir ao ESG. Inclusive, um dos motivos que forçaram a queda do Bitcoin foi a pressão de Elon Musk sobre os impactos causados pela mineração de criptomoedas.

Até aquele momento, aproximadamente 70% da mineração mundial de criptomoedas era feita na China. Na China, boa parte da matriz energética é composta por indústrias de carvão.

Dessa forma, com a pressão exercida pelo mercado e Elon Musk, associada a expulsão de mineradoras da China, estes mineradores passaram a migrar para outros países.

Contudo, será que estas empresas mineradoras estão preocupadas em adotar matriz energética mais limpa para mineração? Quais são as outras formas que podem tornar a mineração de criptomoedas mais ESG? Como estão as questões sociais e de governança? É isso o que veremos nesse artigo.

Migração de mineradoras

Existem alguns pré-requisitos para que uma empresa mineradora escolha um país para instalar suas “minings farms”. O primeiro destes requisitos é o preço da tarifa energética, visto que é o que determinará o lucro das operações de mineração.

Já o segundo, é a preocupação com o clima do local onde será instalada a mining farm. Locais quentes impactam os custos de operação, devido à necessidade de instalar sistemas de refrigeração complexos.

Nesse sentido, a preocupação com uma menor emissão de carbono, ou até mesmo emissão nula, era uma preocupação de segundo plano.

Contudo, dados de uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge, apontam que, por exemplo, o Bitcoin já conta com 39% da energia renovável para sustentar sua blockchain. Dessa forma, é possível afirmar que, no geral, as criptomoedas são mais ESG que o sistema financeiro tradicional.

Assim, com o “empurrão” de Elon Musk e a expulsão das mineradoras chinesas, esse número deverá ser ainda maior. As mineradoras têm buscado locais de instalação de suas mining farms em países que utilizem matrizes energéticas mais limpas. Países nórdicos vem sendo ótimas opções, devido ao clima frio e a utilização de energias renováveis.

Além disso, países como o EUA tem visto na mineração de criptomoedas uma forma de salvar usinas nucleares. Estas não emitem carbono na atmosfera, mas vem sofrendo concorrência de usinas de gás natural, bem como solares.

Além disso, as usinas nucleares sofrem pressão de ambientalistas devido à impossibilidade de reutilização do lixo nuclear gerado. Fora os riscos de acidentes nucleares e contaminação do meio ambiente.

Veja também: Mineração em nuvem, entenda como funciona

Mudança no mecanismo de consenso nas criptomoedas

Para realizar a mineração de criptomoedas, é necessário ter um forte aparato tecnológico, com peças de computadores extremamente avançadas. Isso tudo serve para resolver o cálculo matemático de forma mais rápida que outros mineradoras e receber criptomoedas como forma de recompensa. Dessa forma, quanto mais equipamentos de mineração, mais energia é gasta, mais impacto é gerado.

Contudo, essa forte necessidade de um grande poder tecnológico é devido ao que é chamado de “Proof-of-Work”. Este, é um mecanismo de consenso para recompensar os mineradores por ter resolvido o cálculo matemático mencionado anteriormente. Dessa forma, através deste mecanismo de consenso, é realizada uma verdadeira disputa, quem resolver o cálculo mais rápido é premiado.

Sendo assim, dois mineradores tentam resolver o cálculo de um mesmo hash, ou seja, estão gastando energia para fazer a mesma coisa. Com isso, diversos especialistas criticam este mecanismo de consenso, apontando outros como possível solução. Um deles é o “Proof-of-Stake”.

Diferente do proof-of-work, no proof-of-stake, não há necessidade de resolver cálculos matemáticos. Em blockchains que utilizam esse mecanismo, não existem mineradores, mas sim “validadoras” ou “cunhadores”, visto que um novo bloco não é criado pelo trabalho computacional realizado, mas sim pela quantidade de criptomoedas investida.

Sendo assim, o pré-requisito para validar uma transação, é ter uma quantidade criptomoedas mínima em uma carteira específica. A Ethereum deverá, em sua próxima versão, utilizar este mecanismo. Estima-se que o consumo da rede caia 99,95%, o que deverá representar um salto para toda a indústria de criptomoedas.

Veja também: Dapps, o que são? possíveis usos e vantagens

Questões sociais e de governança nas criptomoedas

As criptomoedas foram desenvolvidas, em parte, para serem descentralizadas e facilitar a relação com as moedas tradicionais. A utilização da blockchain para validar transações, em vez de depender da supervisão do governo, foi prometido para ter efeitos revolucionários para milhões de pessoas. Muitas delas estão impedidas de acessar serviços financeiros ou bancários.

Contudo, o crescimento das criptomoedas em todo o mundo, levou aos reguladores a observarem mais de perto este mercado. Por outro lado, ao mesmo tempo, reconhecem que as criptomoedas vieram para ficar. Dessa forma, com aumento da regulação, também aumenta as dificuldades em relação aos princípios sociais das criptomoedas.

Por outro lado, uma pesquisa liderada pela empresa sem fins lucrativos Diversity in Blockchain, apontou alguns dados alarmantes. O primeiro deles foi a alta disparidade de gênero. Segundo a pesquisa, 90% das pessoas do setor são homens, enquanto apenas 10% são mulheres.

Quanto à questões raciais, a pesquisa não conseguiu levantar muitas informações. Contudo, a Forbes indicou que, entre os 19 mais ricos em criptomoedas, todas eram brancos ou homens do leste asiático.

Conclusão

As criptomoedas vêm caminhando para, pelo menos, cumprirem com as questões ambientais a cerca de seu funcionamento.  As preocupações com a emissão de carbono não eram exatamente uma regra para mineradoras.

Mesmo que, até então, 39% das sustentações da rede Bitcoin fosse através de energias renováveis, parte é certamente fruto de vantagens financeiras ou até mesmo incentivos fiscais.

Com isso, a partir das recentes pressões relacionadas a emissão de carbono, a indústria tem procurado alternativas. Estas, se alternam entre mineração utilizando fontes de energias renováveis e melhora na tecnologia da blockchain para reduzir o consumo. Nesse sentido, deveremos ver melhores em médio prazo.

Contudo, em relação às questões sociais e governamentais, ainda há um longo caminho a ser percorrido. As vantagens da descentralização promovida pelas criptomoedas esbarram no pouco conhecimento que o mundo tem sobre blockchain e criptomoedas.

Além disso, a indústria de criptomoedas, sendo uma indústria financeira e de tecnologia, sofre com a mesma baixa diversidade de setores já tradicionais.

Veja também: A importância dos tokens ERC-20 em Ethereum

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